Em uma declaração transmitida em rede nacional, o presidente de Cuba prometeu tomar medidas enérgicas contra qualquer tentativa de protesto em reação ao apagão que afetou a ilha nos últimos dias. Ele alertou que “não serão tolerados atos que busquem minar a Revolução” e que os manifestantes serão processados “com todo o rigor da lei”. A fala ocorre em meio à crescente frustração popular, enquanto a crise energética expõe as fragilidades do país.
Cuba viveu um apagão generalizado que durou quatro dias, após o colapso do sistema elétrico na última sexta-feira, provocado por uma falha na maior usina termelétrica da ilha. Hoje, o governo afirmou que cerca de 70% da energia foi restaurada, mas, durante o auge da crise, apenas 36% dos 10 milhões de habitantes tinham luz em suas casas.
A situação foi agravada pela passagem do furacão Oscar, que devastou o sul do país, destruindo centenas de residências e deixando seis mortos. A catástrofe natural intensificou a crise humanitária e econômica que já vinha assombrando o país, considerada a mais grave desde a década de 1990. Faltam alimentos, remédios, combustível e água, enquanto o sistema de saúde e os serviços básicos enfrentam colapsos contínuos.
A resposta popular, mesmo diante do risco de prisão, veio na forma de panelaços, com cubanos expressando sua insatisfação pelas condições precárias de vida. O governo, por sua vez, culpa o embargo econômico dos Estados Unidos pela deterioração da infraestrutura elétrica e pela incapacidade de realizar manutenções adequadas.
Com 90% da energia de Cuba dependente do petróleo, cuja compra é afetada pela escassez e altos preços, o sistema elétrico do país funciona à beira de colapsos frequentes. A eletricidade, subsidiada em grande parte pelo governo, se tornou mais uma frente de batalha na crise econômica que sufoca a ilha.
A repressão anunciada visa evitar um cenário semelhante ao de 2021, quando apagões desencadearam as maiores manifestações no país em 30 anos. Naquele ano, milhares de cubanos foram às ruas exigindo melhores condições de vida, o que levou a uma onda de repressão estatal e à prisão de muitos manifestantes. Agora, com uma nova crise energética e humanitária em curso, o governo tenta evitar que a história se repita, enquanto a população luta para lidar com os desafios diários.
A fonte de parte da crise, segundo o governo cubano, continua sendo o embargo econômico dos EUA, que restringe o acesso a peças, combustíveis e recursos financeiros necessários para a manutenção de suas usinas.
Por Hermano Araruna
Comente sobre o post