O aumento de 15,39% no preço do ovo de galinha em fevereiro surpreendeu até o presidente Lula, que questionou publicamente a razão da alta. E quem pode culpá-lo? O ovo, aquele fiel escudeiro dos dias de “aperto”, agora está querendo se passar por artigo de luxo. Mas o que está por trás dessa escalada de preços?
Especialistas apontam que a alta está ligada a um conjunto de fatores. Para começar, o calor infernal do início do ano deixou as galinhas estressadas. E, convenhamos, quem botaria ovo feliz suando em um galinheiro superaquecido? Com menos ovos no mercado, o básico da economia entra em ação: oferta baixa, preço alto. Simples, mas doloroso.
Outro vilão da história é o custo da ração, que tem no milho e na soja seus ingredientes principais. Como se já não bastasse o drama dos ovos, as safras também foram prejudicadas pelo clima. Resultado? Milho e soja mais caros, ração mais cara, e o consumidor que lute para pagar a conta.
Para piorar, os brasileiros decidiram que o ovo é um refúgio diante dos preços surreais da carne. Com o aumento da demanda, os estoques não dão conta e, claro, os preços sobem ainda mais. Ironia do destino: o que era opção barata agora está quase exigindo financiamento.
Por fim, os supermercados também dão sua contribuição para o show de horrores. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), os fornecedores repassaram os custos, e as redes de varejo, que jamais perderiam a chance de proteger suas margens de lucro, reajustaram os preços.
O ovo, outrora humilde e acessível, agora se comporta como uma celebridade em ascensão, inflacionando sua própria importância. Resta saber se os próximos meses trarão um alívio ou se teremos que começar a parcelar a dúzia no cartão de crédito.
Por Hermano Araruna
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