O duelo entre o pastor Silas Malafaia e o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, trouxe à tona um racha no segmento evangélico. O motivo? Uma divergência sobre o momento adequado para discutir a anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Malafaia, defensor ferrenho da pauta, não economizou adjetivos e chamou Pereira de “cretino” e “uma vergonha” para os evangélicos. A reação veio na mesma moeda, e a troca de farpas rapidamente se tornou um espetáculo público.
Em resposta, Pereira classificou Malafaia como um “Rasputin Tupiniquim” e acusou o pastor de “transpirar ódio”. Sugeriu, com ironia fina, que o líder religioso deveria deixar de insuflar conflitos e, se quisesse tanto falar de política, que disputasse uma eleição. A crítica não foi apenas um revide, mas um recado claro: no jogo do poder, quem quer ditar regras precisa estar dentro do tabuleiro.
A briga não é só entre dois líderes de fé. Malafaia, aliado de Bolsonaro, aposta na radicalização para manter sua influência sobre o eleitorado evangélico. Pereira, por outro lado, busca consolidar o Republicanos como uma alternativa viável para a direita pós-Bolsonaro. Com a inelegibilidade do ex-presidente, a disputa por protagonismo dentro desse campo político está aberta, e cada movimento importa.
O Republicanos, partido de Pereira, abriga nomes como Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e possível candidato à presidência em 2026. Também conta com Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo e ex-prefeito do Rio. Ou seja, trata-se de um partido que caminha entre o pragmatismo e a teologia, tentando equilibrar interesses políticos e religiosos sem virar refém de pastores exaltados.
Por ora, o racha está exposto. O embate entre Malafaia e Pereira não é apenas um duelo de egos, mas um sintoma de um realinhamento maior dentro da direita evangélica. Se a reconciliação virá ou se veremos novos capítulos dessa guerra santa, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: para quem acompanha de fora, é um espetáculo digno de atenção.
Por Hermano Araruna
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