Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro(PL) foram ao Supremo Tribunal Federal(STF) nesta terça-feira(25) munidos de lupa — não para ler melhor a denúncia da Procuradoria-Geral da República(PGR), mas para caçar “aberrações jurídicas” que pudessem transformar o julgamento em pauta de indignação nas redes sociais. Caso não achassem nada digno de um post revoltado, a ordem do dia era simples: finge que não viu e segue batendo no governo Lula.
Curiosamente, alguns parlamentares bolsonaristas declararam que sequer assistiriam à sessão por “falta de vontade”. Uma sinceridade incomum no meio político — geralmente, a ausência vem disfarçada de “agenda cheia” ou “compromissos inadiáveis”. Mas Bolsonaro decidiu comparecer, e o roteiro do dia mudou.
A decisão pegou aliados de surpresa. Alguns foram avisados na última hora, outros correram para tentar entrar no plenário, sem sucesso. Houve até quem reclamasse de poltronas vazias, questionando o critério da limitação de acesso. Faltou combinar com a organização que “ter cadeira sobrando” não significa “pode entrar sem convite”.
Enquanto isso, Bolsonaro, do lado de dentro, assistia ao julgamento que pode transformá-lo em réu, num STF que já não lhe reserva a mesma deferência de outros tempos. Do lado de fora, aliados tentavam decidir entre indignação e silêncio estratégico, sempre de olho no termômetro das redes sociais.
Se o ex-presidente esperava apoio maciço no plenário, encontrou apenas um punhado de parlamentares fiéis e um mar de formalidades jurídicas. Mas, no jogo político, o que vale não é tanto o que acontece no tribunal — e sim a versão que chega ao eleitor. E, como sempre, essa parte já estava em produção.
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