A Polícia Federal conduz investigações em 13 estados e no Distrito Federal que podem resultar no indiciamento de mais de 100 pessoas por envolvimento em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. O golpe, revelado após relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), teria movimentado até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 por meio de descontos automáticos em benefícios previdenciários.
O modelo de atuação incluía servidores públicos, dirigentes sindicais e empresários. Beneficiários eram vinculados a sindicatos e associações sem consentimento, com cobranças de cerca de R$ 70 mensais. Em muitos casos, autorizações falsas eram comprovadas com gravações de áudio manipuladas, usadas para simular a anuência dos segurados.
A PF já bloqueou judicialmente R$ 1 bilhão de suspeitos e entidades, além de prender oito pessoas, a maioria representantes de associações. Um dos nomes apontados como articulador é Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, suspeito de movimentar R$ 53 milhões por meio de suas empresas.
O inquérito mira ainda a antiga cúpula do INSS, que deixou os cargos após a deflagração da primeira fase da operação, mas nega participação no esquema. Paralelamente, o Congresso instalou uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que pretende analisar responsabilidades políticas desde 2015, abrangendo quatro governos. Ex-ministros e ex-presidentes do INSS devem ser convocados.
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