A deflagração da Operação Carbono Oculto, nesta quinta-feira (28), escancarou o papel de dois personagens já conhecidos do Ministério Público e da Receita Federal: Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Apontados como líderes do braço empresarial do PCC, eles são descritos como peças-chave da engrenagem que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, usando postos de combustíveis, distribuidoras e até fundos de investimento para dar aparência de legalidade ao dinheiro da facção.
Mourad, apresentado em suas redes como CEO da transportadora G8LOG e consultor do grupo Aster/Copape, projetava a imagem de executivo disciplinado e defensor do “comprometimento” para alcançar “resultados sólidos”. Nos bastidores, dizem os investigadores, coordenava um sistema que misturava parentes, sócios e profissionais cooptados para fraudar o fisco e lavar patrimônio. Foi descrito pelos procuradores como o “epicentro” do esquema.
Já “Beto Louco” teria atuado como gestor direto das engrenagens operacionais, cuidando de empresas como Copape e Aster, responsáveis por viabilizar o circuito de fraudes fiscais e ocultação de bens. Juntos, segundo a apuração, eles formaram uma rede que não se limitava ao combustível adulterado: a facção ampliou horizontes, adquirindo fazendas, usinas, imóveis e até uma mansão em Trancoso, avaliada em R$ 13 milhões.
Ambos já haviam sido investigados em outras operações, sempre pelas mesmas acusações: fraudes fiscais, contábeis e lavagem de dinheiro. Agora, sob a maior ofensiva contra o crime organizado já realizada no país, segundo o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, seus nomes voltam ao centro do noticiário, desta vez como símbolos de um PCC que se profissionalizou para além do tráfico.
A defesa dos acusados ainda não se manifestou.
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