O que se desenha como um acerto ideológico virou tempestade no mundo da arte e da memória pública. Na última semana, a Casa Branca lançou um memorando com 26 pontos exigindo mudanças no conteúdo do Smithsonian, principal rede museológica dos EUA, por supostamente abrigar exposições que promovem “narrativas divisivas”. Entre os alvos estão obras como Transforming Liberty (2024), de Amy Sherald, que representa a Estátua da Liberdade personificada por uma mulher trans, e outras que humanizam migrantes ou prestam homenagem a figuras como Anthony Fauci.

A ofensiva se intensifica com a ideia de impor o chamado “excepcionalismo americano” como padrão oficial nos 21 museus do complexo Smithsonian, afastando histórias sobre escravidão, lutas LGBTQ+, imigração e cultura afro-americana. A resposta da comunidade artística e acadêmica foi imediata e contundente: acusações de censura velada e comparações a regimes autoritários que tentam controlar o passado para moldar o presente.

É uma batalha simbólica e histórica: de um lado, um projeto político que busca redefinir a narrativa nacional; do outro, museus que preservam a pluralidade da memória coletiva. E o campo de batalha é o próprio coração da cultura americana.
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