Luis Fernando Verissimo, um dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea, faleceu na madrugada deste sábado (30), em Porto Alegre, aos 88 anos. Ele estava internado na UTI do Hospital Moinhos de Vento desde 11 de agosto, tratando uma pneumonia. A causa da morte foram complicações decorrentes da infecção pulmonar, segundo informou a instituição.
Filho do também escritor Érico Verissimo, Luis Fernando nasceu em Porto Alegre em 1936 e passou parte da infância nos Estados Unidos, onde conheceu o jazz, paixão que o acompanharia por toda a sua vida. De volta ao Brasil, construiu uma carreira sólida, publicando mais de 70 livros, romances, contos, crônicas e tirinhas e vendendo cerca de 5,6 milhões de exemplares.
Entre seus personagens mais famosos estão Ed Mort, O Analista de Bagé e A Velhinha de Taubaté, todos marcados pela sagacidade e pelo humor discreto, mas profundamente brasileiro. Mesmo convivendo com doenças crônicas, como Parkinson, sequelas de um AVC e portador de marcapasso, Verissimo manteve-se ativo como colunista em veículos como Zero Hora, O Estado de S. Paulo e O Globo.
Além da literatura, Verissimo marcou presença na televisão como roteirista do programa TV Pirata nos anos 1980 e inspirou a série Comédias da Vida Privada na década de 1990. Apaixonado pelo Internacional, não escondia seu entusiasmo ao relembrar conquistas do clube, como o Brasileirão de 1975 e o Mundial de Clubes de 2006.
Discreto e avesso a aparições públicas, costumava brincar sobre sua própria introspecção: “Não sou eu que falo pouco, os outros é que falam muito”. No entanto, sua escrita sempre encontrou espaço para observar política, comportamento e cultura com inteligência e humor refinado.
Luis Fernando Verissimo deixa a esposa, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos. Ainda não há detalhes sobre velório e sepultamento. Parte deixando um legado raro: o de fazer do humor uma forma de pensamento e da simplicidade uma arte.
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