Um caso de desaparecimento mobiliza a Polícia Militar desde a noite de sábado (30), em João Pessoa. A jovem Lara, moradora de Cabedelo, teria aceitado o convite de um rapaz conhecido pelas redes sociais para passar a noite em sua casa, na região do Cuiá. Horas depois, porém, o próprio rapaz afirmou ter recebido no celular uma mensagem enviada por ela, pedindo socorro e dizendo estar em perigo dentro de um carro.
A denúncia levou equipes do 5º Batalhão e do Batalhão de Choque a realizar buscas intensas nas imediações do rio Cuiá. Até o fechamento desta edição, a polícia não havia localizado a jovem. O Tenente Pereira confirmou que as diligências seguem em andamento para esclarecer se houve de fato um sequestro.
O episódio levanta uma questão que vai além da investigação policial: a vulnerabilidade dos encontros mediados pela internet. Pesquisas recentes da SaferNet Brasil, organização referência em segurança digital, mostram que 1 em cada 3 jovens brasileiros já se encontrou presencialmente com alguém conhecido apenas online. Embora muitos desses encontros terminem sem incidentes, os riscos são reais. Casos de golpes, abusos e desaparecimentos têm crescido nos últimos anos.
Especialistas em segurança digital orientam que encontros presenciais marcados pela internet devem sempre ocorrer em locais públicos, com aviso prévio a familiares ou amigos. “A lógica do cuidado offline precisa acompanhar o que acontece online. O excesso de confiança é a porta de entrada para situações de vulnerabilidade”, afirma Rodrigo Nejm, diretor da SaferNet.
Enquanto as buscas por Lara continuam, a história serve como alerta para um problema que se repete no cotidiano urbano, mas raramente ganha tanta visibilidade: a fronteira tênue entre a sociabilidade digital e a exposição ao risco. No caso do Cuiá, a investigação policial ainda busca respostas. Para a sociedade, porém, a lição é imediata, a internet pode aproximar pessoas, mas exige, sempre, um passo atrás de cautela.
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