Na Brasília dos bastidores e das vaidades, Hugo Motta achou que poderia bater de frente com o governo federal e sair ileso. Mal sabia ele que, ao mexer no vespeiro do IOF, acabaria promovido — não a herói da oposição, mas a vilão oficial da semana no núcleo petista.
Não que Motta não tenha talento para o jogo. O jovem deputado da Paraíba, presidente da Câmara com fome de protagonismo, arrumou confusão justamente com quem ainda detém grande parte do afeto nordestino: o presidente Lula. E aí está o xadrez — ou melhor, o cabo de guerra: bater de frente com o PT em um estado onde Lula tem mais de 60% de aprovação talvez não tenha sido a jogada mais esperta do tabuleiro.
Motta virou um paradoxo ambulante: é opositor onde o lulismo ainda é religião. A militância não perdoou, e o governo, que adora um embate bem calculado, viu aí uma chance de ouro para desgastar um nome que, em 2026, promete dar trabalho.
O PT, por sua vez, não precisou nem colocar o dedo no botão “destruir” — bastou deixar a máquina da indignação militante fazer o trabalho. Hashtags, críticas e memes começaram a chover, e o deputado agora precisa equilibrar suas ambições nacionais com a matemática ingrata de um eleitorado apaixonado por Lula.
No fim das contas, a lição é clara: quando se é um político do Nordeste e resolve entrar numa queda de braço com o Planalto, é bom checar se o chão sob os pés é firme — ou se está mais para a areia movediça da impopularidade.
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