Teixeira, sertão da Paraíba, é daqueles lugares onde pedra tem nome, vento tem história e galo canta por motivos que vão muito além do nascer do sol. A mais famosa dessas histórias é a da “Pedra do Galo” e, diferente do que o nome inocente sugere, o tal galo aqui não tinha penas, mas sim segundas intenções.
A versão oficial (ou melhor, oficiosa, porque vem da boca do povo) narra que, tempos atrás, um casal de agricultores vivia em um sítio sossegado, daqueles com fogão à lenha e silêncio suspeito. Ele, trabalhador da roça e caçador noturno. Ela, aparentemente caseira, mas com hábitos noturnos próprios. Segundo relatos passados de geração em geração, toda vez que o marido partia para as matas, o tal “galo” cantava do alto de uma pedra. Pontualmente. Toda noite.
— É só um galo, dizia a esposa, com um candeeiro na mão e cara de paisagem.
O problema é que esse galo não comia milho. Nem dormia em poleiro. E o canto era menos biológico e mais estratégico: um aviso de que o amante havia chegado. A senha perfeita. Canta o galo, apaga o candeeiro, começa o revezamento.
Só que, como toda boa história sertaneja, o improvável aconteceu: numa dessas noites, o marido voltou antes da hora. E, em vez de um tatu na mira, encontrou um triângulo amoroso iluminado por lamparina e temperado com fúria. O final? Um galo morto, o humano, não o bicho e uma pedra marcada para sempre pela combinação de adultério e tragédia.
Desde então, diz-se que nunca mais se ouviu canto de galo naquele ponto. Talvez por respeito. Talvez por medo. Ou talvez porque ninguém mais quis repetir a proeza.
Hoje, a localidade carrega com orgulho o nome “Pedra do Galo”, uma homenagem involuntária à infidelidade transformada em geografia. E assim, no meio da serra, entre ladeiras e histórias, uma traição virou folclore. Porque no sertão, até galo que canta demais termina virando lenda ou ponto de referência no Google Maps.
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