Na manhã desta quinta (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deixou dúvidas: a Operação Carbono Oculto, que desvendou um esquema bilionário do PCC infiltrado no mercado de combustíveis e financeiro, foi classificada por ele como “a maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui”. Em tom estratégico, Lula destacou que o esforço integrado entre PF, Receita Federal, o Ministério da Justiça e os promotores estaduais, iniciado com o nascimento do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, foi essencial para atingir o “núcleo financeiro que sustenta essas práticas”.
Enquanto isso, em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas não ficou para trás. Logo cedo, usou suas redes para parabenizar o desempenho do Gaeco e das polícias paulista, afirmando que o trabalho “se expandiu por todo o país”, omitindo, é claro, os holofotes centrados pelo Planalto. Mais do que uma disputa por crédito, a movimentação sinaliza uma guerra de narrativa entre Brasília e o Palácio dos Bandeirantes.
A operação em si não deixa margem para disputas triviais: mais de 1,4 mil agentes em 10 estados, bloqueio de cerca de R$ 1 bilhão em bens e o desmantelamento de uma rede que movimentou entre R$ 52 bilhões e R$ 140 bilhões, incluindo fintechs fantasmas, fundos blindados e postos fantasmas usados como lavanderias financeiras.
No olho do furacão também estão “Primo” e “Beto Louco”, acusados de liderar o esquema via empresas em nome de laranjas, com ações de fachada engolindo usinas, refinarias, terminais, fazendas e até mansões chiques em Trancoso.
Enquanto isso, a disputa não é só de narrativas. O governo federal encaminhou ao Congresso uma PEC da Segurança Pública para centralizar a interceptação e investigação dessas organizações, uma carta na manga que parece feita sob medida para esta ocasião.
Se a política local quer assumir a paternidade do “tremendo batidão contra o crime organizado”, Brasília não está dando mole: Lula acena ao eleitor, esnoba os planos de categorização terrorista do governo Trump e fecha o cerco no “Condado” da Faria Lima com a segurança reforçada dos fundos e fintechs.
Comente sobre o post