No discurso contundente desta quinta-feira (28), o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, revelou que as recentes operações policiais e judiciais desvelaram apenas os fragmentos visíveis de um plano bem mais profundo. Com a metáfora do iceberg, ele alertou: as ações atuais atingem apenas a superfície, “agora vamos descobrir a base” do crime organizado infiltrado no setor de combustíveis.
Essas operações, batizadas de Quasar, Tanque e Carbono Oculto, não revelaram apenas postos adulterando combustíveis: mostraram como o crime transita da ilegalidade para o mercado financeiro por meio de fintechs, fundos de investimento e estruturas de fachada. Um verdadeiro disfarce dentro da economia formal.
Os números impressionam. Foram cumpridos quase 400 mandados judiciais que resultaram no bloqueio de R$ 3,2 bilhões em bens e valores, além da identificação de movimentações ilícitas estimadas em R$ 140 bilhões. O cerco envolveu centenas de imóveis, veículos, embarcações, fazendas, caminhões e fundos de investimento.
Com mais de mil postos de gasolina identificados como parte do esquema, lavando dinheiro e vendendo combustível adulterado, as investigações prometem aprofundar-se. Segundo o ministro, o crime já não é local, nem meramente nacional; tornou-se global. À frente desse enfrentamento, Lewandowski reforçou a importância da cooperação multissetorial: o Núcleo de Combate ao Crime Organizado foi criado para isso, mas precisa ir além.
Esse desdobramento reforça o apelo do governo pela aprovação da PEC da Segurança Pública, no Congresso Nacional. A proposta prevê cooperação entre forças de segurança nacionais, estaduais e federais, fomentando operações permanentes, não pontuais.
O que parecia um simples caso de fraude em postos de gasolina escancarou uma teia que atravessa fronteiras e setores. Agora, o que resta é seguir cavando, ir além da superfície e expor o subterrâneo do poder econômico criminoso.
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