O novo empréstimo consignado CLT, lançado na última sexta-feira, virou febre entre os trabalhadores formais do Brasil. Em apenas três dias, mais de 40 milhões de simulações e 11 mil contratos foram fechados. Isso, claro, graças ao aplicativo Carteira de Trabalho Digital, que, por sua vez, experimentou um pico de acessos 12 vezes maior do que o habitual. Pode-se dizer que o governo encontrou uma forma de reanimar as teclas do celular e os bolsos da população, ou ao menos fazer com que a ficha caísse nas contas correntes.
Criado por medida provisória e assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empréstimo tem como garantia o FGTS e a multa rescisória, e promete ser uma tábua de salvação para trabalhadores do setor privado. Tudo com parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento. A promessa: dar uma mãozinha para quem está apertado, principalmente os microempreendedores e trabalhadores rurais, já que o crédito pode chegar a 10% do FGTS e 100% da multa por demissão. Um abraço do governo que pode se tornar um pesadelo bancário, caso a coisa fique apertada no emprego.
Mas, claro, se tem uma coisa que sempre chama atenção em uma medida dessas, é o toque especial de marketing. E quem melhor para impulsionar esse produto do que a ministra Gleisi Hoffmann? No Instagram, ela fez questão de associar o consignado diretamente ao presidente, como quem sugere que, no final das contas, a única solução para o orçamento apertado é a ajuda do bom e velho “Lula.” “Apertou o orçamento? O juro tá alto? Pega o empréstimo do Lula”, disse, como se fosse uma indicação culinária, sem custos adicionais de imaginação.
E se o popular é o caminho, o governo tem seu charme. A linha de crédito, assim como a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, visam agradar ao eleitorado da classe média. Só que, como sempre, há um pequeno detalhe escondido atrás do brilho das promessas: a inflação. Enquanto o governo coloca mais dinheiro no bolso das famílias, o Banco Central tenta sufocar o calor econômico com juros altos. Analistas estão de olho e apontam que essa injeção de liquidez pode, na verdade, ser o combustível para um fogo ainda maior. E o endividamento das famílias? Vai bem, obrigado.
Luís Eduardo Assis, economista que certamente não comprou o pacote completo de promessas, lembra que, apesar das boas notícias como o desemprego baixo e o aumento no consumo das famílias, o governo continua tentando dar um empurrãozinho na economia. “O consumo aumentou 8,8% em 2024, o salário mínimo está lá nas alturas(?), mas o governo insiste em acelerar a demanda. O problema é que a economia já está superaquecida”, aponta. E quem paga a conta no final? Ora, os mesmos que pegaram o empréstimo para aliviar o orçamento.
E assim, enquanto o governo tenta, com um toque de audácia populista, aproximar-se de uma população aflita por seus problemas financeiros, fica a pergunta: será que o empréstimo consignado é realmente a solução, ou apenas mais uma forma de segurar o bonde da popularidade?
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