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Gravações exclusivas mostram policiais tratando tráfico como atividade empresarial na Paraíba

Gravações obtidas durante as investigações mostram conversas em que os suspeitos tratam a atividade ilícita.

Por: Redação Fonte: ParaíbaON
08/06/2026 às 07h36
Gravações exclusivas mostram policiais tratando tráfico como atividade empresarial na Paraíba

Policiais civis que deveriam atuar no combate ao tráfico de drogas são investigados por integrar um esquema criminoso de desvio e comercialização de entorpecentes apreendidos em operações policiais na Paraíba. Gravações obtidas durante as investigações mostram conversas em que os suspeitos tratam a atividade ilícita como um negócio lucrativo e organizado.

A Operação Perfídus, deflagrada na última terça-feira (2), resultou na prisão de um delegado e dois investigadores da Polícia Civil, além de outros envolvidos. De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, o grupo desviava parte das drogas apreendidas e revendia os entorpecentes para traficantes e facções criminosas.

Entre os investigados está o policial civil Everton Aires, conhecido como “Bomba”. Em áudios anexados ao inquérito, ele afirma que o tráfico funcionava como qualquer outro comércio e faz referências aos lucros obtidos com a atividade ilegal. Segundo as investigações, apenas nos últimos cinco anos, mais de R$ 4 milhões passaram por contas ligadas ao investigador, valor considerado incompatível com seus rendimentos como servidor público.

As apurações apontam ainda que o esquema contava com a participação do investigador Eduardo Jorge Ferreira, conhecido como “Mão Branca”, e do delegado Braz Morroni. O grupo é suspeito de negociar drogas com integrantes de facções, fornecer informações privilegiadas sobre operações policiais e oferecer proteção a criminosos procurados pela Justiça.

A investigação teve início em maio de 2025, após a denúncia de um traficante que acusou policiais de se apropriarem de uma carga de drogas. A partir daí, foram realizadas interceptações telefônicas, análises financeiras e outras diligências que indicaram a existência da organização criminosa.

Entre os beneficiados pelo esquema estaria José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira, investigado por envolvimento em ataques do chamado Novo Cangaço contra bancos e carros-fortes na região Nordeste. Segundo a investigação, ele teria contado com apoio dos policiais para ampliar a comercialização de drogas.

Ao todo, nove pessoas foram presas durante a Operação Perfídus. As defesas dos investigados negam qualquer irregularidade e afirmam que irão demonstrar a inocência dos acusados durante o andamento do processo judicial.

O caso segue sendo investigado pelo Ministério Público da Paraíba, pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil.

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