
Novos desdobramentos da investigação que apura o envolvimento de policiais civis com o tráfico de drogas na Paraíba revelaram um plano que, segundo os investigadores, ultrapassava a atuação criminosa e buscava alcançar espaço dentro da própria estrutura da segurança pública.
De acordo com o conteúdo analisado durante a apuração, integrantes do grupo preso discutiam fortalecer influência dentro da Polícia Civil, incluindo a possibilidade de ver um delegado ocupando cargo estratégico e mudanças em unidades consideradas importantes para o funcionamento interno da corporação.
As informações surgiram dentro da Operação Perfidus, deflagrada em junho e conduzida para investigar suspeitas de desvio de drogas apreendidas, corrupção, vazamento de informações sigilosas e ligação com organizações criminosas. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões ligados aos investigados.
Segundo as investigações, o esquema teria funcionado utilizando acesso privilegiado a operações, veículos e imóveis monitorados, permitindo que parte dos entorpecentes apreendidos retornasse ao comércio ilegal e gerasse lucro ao grupo. A apuração também aponta suspeitas de proteção institucional e repasse de informações para integrantes do tráfico.
Outro ponto que ganhou força com o avanço das investigações foi a análise de milhares de áudios, vídeos e movimentações financeiras, que passaram a sustentar a linha investigativa de que o grupo pretendia ampliar influência e garantir sustentação ao esquema dentro da própria estrutura pública. As defesas dos investigados têm afirmado que irão contestar as acusações durante o processo.