
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) denunciou, nesta sexta-feira (24), o delegado Braz Morroni e os policiais civis Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito por supostos crimes relacionados ao desvio de drogas durante uma operação policial realizada em João Pessoa.
Na denúncia, o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) pede à Justiça a condenação dos três investigados, a perda dos cargos públicos, a conversão das prisões temporárias em preventivas e o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
Segundo o Ministério Público, os denunciados vão responder pelos crimes de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. Esta é a primeira denúncia apresentada no âmbito da Operação Perfidus e trata exclusivamente do suposto desvio de entorpecentes durante uma ação policial realizada em outubro de 2025.
De acordo com a investigação, o grupo recebia informações sobre imóveis utilizados para armazenar drogas, realizava incursões nos locais e desviava parte dos entorpecentes apreendidos. Apenas uma pequena quantidade do material era registrada oficialmente nos procedimentos policiais.
Para fundamentar a denúncia, o MPPB afirma ter reunido provas obtidas por meio da análise de aparelhos celulares, dados de geolocalização da viatura utilizada na operação, quebras de sigilos telemático, bancário e fiscal, monitoramento dos investigados, além de documentos e depoimentos.
Em junho deste ano, a Polícia Civil concluiu um dos inquéritos da investigação e indiciou Braz Morroni, Everton Aires, conhecido como "Bomba", e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, apelidado de "Mão Branca". Na ocasião, a corporação também solicitou a conversão das prisões temporárias em preventivas. Os três permanecem detidos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.
Na quinta-feira (23), a Justiça da Paraíba concedeu prisão domiciliar à investigada Vanessa Dantas Fernandes, apontada como responsável por movimentações financeiras do suposto esquema. Ela deverá cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de manter contato com os demais investigados.
Até a publicação desta matéria, as defesas do delegado Braz Morroni e dos policiais Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito não haviam se manifestado sobre a denúncia apresentada pelo Ministério Público.