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Nova injeção para prevenção do HIV pode ser incorporada ao SUS

Aplicado a cada dois meses, o cabotegravir impede a replicação do vírus por um período prolongado.

Por: Redação Fonte: ParaíbaON
29/07/2026 às 13h28
Nova injeção para prevenção do HIV pode ser incorporada ao SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá disponibilizar ainda este ano uma nova estratégia de prevenção ao HIV. O Ministério da Saúde vai encaminhar, na próxima semana, à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido para inclusão do cabotegravir, medicamento injetável utilizado na Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).

Aplicado a cada dois meses, o cabotegravir impede a replicação do vírus por um período prolongado e surge como alternativa à PrEP oral, atualmente oferecida pelo SUS por meio de comprimidos de uso diário.

A Conitec será responsável por analisar aspectos como eficácia, segurança e custo-benefício da tecnologia antes de emitir um parecer. A decisão final sobre a incorporação, no entanto, caberá ao Ministério da Saúde.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, o governo negocia com a farmacêutica GSK, fabricante do medicamento, o preço e a quantidade de doses que poderão ser adquiridas. De acordo com ele, a empresa apresentou uma proposta considerada compatível com a capacidade de investimento do sistema público.

Padilha afirmou ainda que o governo optou pelo cabotegravir após considerar inviável a oferta do lenacapavir, outro medicamento de longa duração, com proteção de até seis meses. Segundo o ministro, o preço apresentado pela fabricante Gilead ficou acima do valor considerado aceitável pelo governo brasileiro.

Apesar de ter participado dos estudos clínicos do lenacapavir, o Brasil ficou de fora do acordo internacional que permite a fabricação de versões genéricas do medicamento para distribuição em 120 países. A exclusão foi criticada por entidades ligadas ao combate ao HIV e pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), que defendem a ampliação do acesso ao tratamento.

Em nota, a Gilead informou que busca alternativas para ampliar o acesso ao medicamento no Brasil e destacou a assinatura de um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para avaliar possibilidades de transferência de tecnologia.

Atualmente, mais de 350 mil pessoas utilizam a PrEP oral oferecida pelo SUS. Estudos apontam que a versão injetável pode aumentar a adesão ao tratamento. Uma pesquisa da Fiocruz, realizada com 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras, mostrou que 83% preferiram a aplicação injetável e que 94% compareceram às datas previstas para receber as doses. Durante o acompanhamento, nenhum dos participantes contraiu o HIV. Além disso, dados divulgados pelas farmacêuticas responsáveis pelo medicamento apontaram taxa anual de infecção de apenas 0,1% entre os usuários da PrEP injetável.

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