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Tosse com efeito colateral inesperado: remédio popular pode frear sintomas de demência em pacientes com Parkinson

Tosse com efeito colateral inesperado: remédio popular pode frear sintomas de demência em pacientes com Parkinson

Por: Hermano Araruna
07/07/2025 às 21h13 Atualizada em 08/07/2025 às 00h13
Tosse com efeito colateral inesperado: remédio popular pode frear sintomas de demência em pacientes com Parkinson
Concept of memory loss and dementia disease and losing brain function memories as an alzheimers health symbol of neurology and mental problems with 3D illustration elements.

Ele sempre esteve ali, discreto na prateleira da farmácia ou esquecido no fundo do armário doméstico. Mas agora, o ambroxol, um velho conhecido de quem sofre com tosse, ganha novo destaque: pesquisadores acreditam que ele pode retardar os efeitos da demência em pacientes com doença de Parkinson.

A pesquisa, publicada na JAMA Neurology, foi realizada pelo Lawson Research Institute, ligado ao St. Joseph’s Health Care London, no Canadá. Ao longo de um ano, 55 voluntários com demência associada ao Parkinson participaram do estudo: metade tomou ambroxol diariamente; a outra parte recebeu placebo. Os que utilizaram o princípio ativo apresentaram melhora cognitiva e estabilidade nos sintomas psiquiátricos — e o melhor, sem reações adversas significativas.

A explicação está em uma enzima de nome complicado: glicocerebrosidase (ou GCase). Ela é produzida pelo gene GBA1 e tem papel vital na limpeza de resíduos nas células do cérebro. Em muitos casos de Parkinson, especialmente com demência, essa enzima apresenta funcionamento abaixo do ideal. O ambroxol, além de descongestionar os pulmões, parece dar um empurrão para que a GCase volte a agir corretamente.

De acordo com o neurologista cognitivo Stephen Pasternak, que liderou o estudo, o foco foi encontrar uma intervenção capaz de alterar o curso da demência causada pelo Parkinson — uma condição que costuma atingir até metade dos pacientes em até dez anos após o diagnóstico. “É uma luz promissora, mas ainda precisamos de estudos maiores”, afirmou ele ao Science Daily.

Por enquanto, ninguém está receitando xarope no lugar de terapias convencionais. Mas o estudo lança um olhar interessante sobre o reaproveitamento de medicamentos antigos para desafios modernos. Em tempos de busca por soluções acessíveis e eficazes, a ciência parece ter encontrado um aliado improvável: um expectorante com ambições neurológicas.

Vou correr até a farmácia e comprar alguns, antes que os donos de farmácias descubram e encareçam, como sempre acontece.

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