
O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, passou a ser alvo de uma investigação comercial aberta pelo governo dos Estados Unidos. A ofensiva, liderada pela administração de Donald Trump, que tenta retomar influência sobre o comércio global, considera o Pix uma possível “prática desleal” que afetaria empresas americanas do setor financeiro e de tecnologia.
A medida gerou resposta imediata de autoridades brasileiras. No Congresso, senadores apresentaram uma emenda constitucional com o objetivo de proteger o Pix contra possíveis tentativas de taxação ou ingerência externa. A proposta foi articulada como reação preventiva, num gesto de defesa da soberania sobre a infraestrutura digital do sistema financeiro.
No governo, a avaliação é de que a ofensiva norte-americana se encaixa numa estratégia mais ampla de pressão comercial sobre países com soluções tecnológicas próprias e de forte adesão popular. Criado e gerido pelo Banco Central do Brasil, o Pix tem mais de 160 milhões de usuários e movimenta cerca de R$ 1,5 trilhão por mês, segundo dados de 2025. O sistema, gratuito para pessoas físicas e com baixíssimo custo para empresas, tem reduzido a dependência de bandeiras internacionais de cartões e plataformas de pagamento com sede no exterior.
A investigação americana ainda está em fase inicial e foi aberta com base na seção 301 do Trade Act, dispositivo legal que permite ao Executivo norte-americano analisar práticas comerciais estrangeiras consideradas prejudiciais às empresas dos EUA. A mesma base legal foi usada, por exemplo, na guerra comercial contra a China durante o primeiro mandato de Trump.
Autoridades brasileiras consideram que o Pix está amparado por princípios de interesse público e não favorece empresas locais em detrimento das estrangeiras, já que sua adesão é voluntária, aberta a qualquer instituição financeira autorizada pelo Banco Central, incluindo bancos com capital internacional.
Nos bastidores, a expectativa é que o Itamaraty e o Ministério da Fazenda atuem conjuntamente na defesa do sistema. O Banco Central, por sua vez, preferiu não comentar diretamente a investigação, mas reforçou o caráter técnico, interoperável e inclusivo do Pix como um modelo regulado com critérios transparentes.
Ainda não há previsão de sanções ou tarifas, mas a movimentação acendeu o sinal de alerta em Brasília. A reação política indica que o Pix, além de uma ferramenta financeira, tornou-se também um símbolo de autonomia tecnológica e inovação regulatória do Estado brasileiro.