
A Polícia Civil da Paraíba prendeu dezenas de investigados na manhã desta quarta-feira (26) durante a deflagração da Operação Argos, considerada pelas autoridades o maior golpe contra o narcotráfico interestadual dos últimos anos no estado. Ao todo, estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão preventiva e 45 de busca e apreensão em 13 cidades da Paraíba, além de alvos nos estados de São Paulo, Bahia e Mato Grosso.
A ofensiva, coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, conta com a participação de mais de 400 policiais civis e apoio do GAECO e das Polícias Civis dos estados envolvidos. A investigação resultou na desarticulação de uma organização criminosa liderada por Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, apontado como um dos principais fornecedores de entorpecentes da Paraíba e de regiões estratégicas do Sertão de Pernambuco e do Ceará.
As investigações tiveram início em 2023, após sucessivas apreensões recordes de drogas no estado. Segundo a polícia, o cruzamento de informações apontou que todas as cargas pertenciam ao mesmo grupo criminoso. Ao longo da apuração, foram apreendidos carregamentos que causaram prejuízo superior a R$ 100 milhões à organização, incluindo 150 quilos de cocaína em Patos, 400 quilos de drogas em Cajazeiras, uma tonelada de entorpecentes em Conceição e 80 quilos de cocaína pura em São José de Piranhas, conforme apurou o Notícia Paraíba.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo mantinha ligação direta com o núcleo de liderança do Primeiro Comando da Capital, em São Paulo, estruturando uma logística que transformou a organização em um centro de distribuição de cocaína e maconha para o Nordeste. A atuação era dividida entre transporte interestadual em carretas, distribuição no varejo local e um núcleo financeiro responsável pela lavagem de dinheiro.
Ainda segundo a investigação, o esquema movimentou cerca de R$ 500 milhões desde 2023. Empresas de fachada, holdings familiares e contratos públicos eram utilizados para ocultar recursos ilícitos. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 104 milhões em contas bancárias, além do sequestro de 13 imóveis e 40 veículos.
O nome “Argos” faz referência ao gigante da mitologia grega de cem olhos, simbolizando a vigilância permanente no combate ao crime organizado. A Polícia Civil afirma que, com a operação, conseguiu neutralizar o tripé que sustentava a organização criminosa: logística, varejo e capital.