
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira uma medida provisória que cria o Desenrola 2.0, nova etapa do programa de renegociação de dívidas. A proposta prevê descontos que podem chegar a 90% e ainda permite o uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para quitar débitos.
Pelas regras, podem participar brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas de até R$ 15 mil. A partir desta terça-feira (5), os interessados já podem procurar bancos e instituições financeiras para negociar.
O programa será dividido em quatro frentes: famílias, estudantes com débitos do FIES, empresas e produtores rurais. A ideia é ampliar o alcance da renegociação e atingir diferentes perfis de devedores.
Para viabilizar as renegociações, o governo vai usar recursos do Fundo Garantidor de Operações, que funciona como uma espécie de garantia para os bancos em caso de inadimplência. Também devem ser utilizados valores esquecidos no sistema financeiro, conhecidos como “valores a receber”.
O lançamento ocorre em meio a um cenário de alto endividamento no país. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo apontam que mais de 80% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida, o maior índice já registrado.
A primeira versão do Desenrola, criada em 2023, renegociou mais de R$ 53 bilhões em dívidas e beneficiou cerca de 15 milhões de pessoas. A nova fase aposta em ampliar esse alcance e facilitar o acesso ao crédito para quem está inadimplente.