
Uma investigação conduzida pelo Ministério Público da Paraíba, por meio do Gaeco, em conjunto com a Polícia Federal, apontou suspeitas de irregularidades em contratos milionários firmados pela Prefeitura de Cabedelo. Entre os principais indícios estão sucessivos aditivos contratuais e o aumento expressivo dos valores pagos à mesma empresa ao longo dos últimos anos.
Segundo documento obtido pela imprensa, a representação apresentada ao desembargador Ricardo Vital de Almeida, do Tribunal de Justiça da Paraíba, resultou na autorização de uma operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento do ex-prefeito interino Edvaldo Neto.
As investigações apontam que contratos com a empresa Lemon teriam sido mantidos por meio de licitações repetidas, renovações consecutivas e concentração de recursos públicos no mesmo grupo empresarial.
De acordo com os investigadores, o esquema utilizaria empresas terceirizadas para inserir pessoas ligadas a uma organização criminosa dentro da administração pública. Ainda conforme a apuração, parte dos recursos destinados ao pagamento desses funcionários retornaria aos líderes do grupo e agentes políticos em forma de propina.
Um dos contratos investigados teve origem em uma licitação realizada em 2019 e começou a vigorar em janeiro de 2020. Conforme o documento, o acordo permaneceu ativo até janeiro de 2026 após a celebração de 11 aditivos consecutivos.
O valor inicial do contrato era de aproximadamente R$ 14,9 milhões. Após renovações e alterações, o montante pago teria chegado a cerca de R$ 28,7 milhões, representando um aumento de mais de 93% durante o período analisado.
Outro contrato citado na investigação foi firmado em fevereiro de 2024 para prestação de serviços terceirizados na área da saúde municipal. Segundo o MP e a PF, o acordo foi renovado em 2025 logo após a inabilitação de uma empresa concorrente em um pregão eletrônico que terminou com a vitória da Lemon.
Os investigadores afirmam existir indícios de direcionamento contratual e possível combinação prévia entre gestores públicos e representantes da empresa.
Ainda conforme o documento, considerando valores já empenhados e possíveis futuras renovações, os contratos investigados poderiam alcançar mais de R$ 273 milhões.
A investigação também cita depoimentos sobre a existência de uma suposta “folha paralela” operada por meio da estrutura da empresa. Um dos relatos aponta que integrantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho teriam recebido aumentos artificiais de salários para gerar recursos destinados ao grupo criminoso.