
As obras de triplicação da BR-230, no trecho que interliga os municípios de João Pessoa e Cabedelo, enfrentam sérios problemas estruturais que ameaçam o cumprimento do cronograma de execução. O consórcio construtor precisa promover um reforço imediato no contingente de operários e aplicar melhorias urgentes na sinalização temporária da pista. O alerta consta no Relatório Mensal de Supervisão referente a março de 2026, obtido com exclusividade pelo jornalismo da CBN Paraíba por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
De acordo com o documento técnico, a precariedade na sinalização ao longo do empreendimento é um problema crônico. Os registros de fiscalização revelam que as cobranças formais por adequações de segurança visual começaram em novembro de 2024, tendo o prazo limite prorrogado pelas autoridades até o dia 31 de maio de 2026. A negligência no setor tem reflexos diretos no trânsito: na última sexta-feira (15), mais um automóvel despencou em uma vala aberta nas proximidades do viaduto recentemente inaugurado pelo Governo Federal. Episódio semelhante ocorreu no mês de abril, somando-se a uma série de acidentes e quedas envolvendo condutores e motociclistas no trecho em obras.
Além da segurança, o relatório joga luz sobre o deficit de mão de obra nas frentes de serviço, avaliando como indispensável a mobilização de mais trabalhadores para assegurar o ritmo das atividades, especialmente nas estruturas de viadutos e passarelas. A auditoria elenca ainda os dois principais gargalos para o avanço das máquinas: o atraso na remoção de postes de alta tensão por parte da concessionária de energia Energisa — iniciado apenas após cobrança direta do Ministério dos Transportes — e o travamento das obras de drenagem no quilômetro 2 da rodovia. Esta última intervenção, iniciada originalmente pelo Exército (1º BEC), foi paralisada por determinação judicial e segue sem previsão de retomada, gerando alertas severos da equipe de engenharia sobre o risco iminente de novos alagamentos nas vias marginais.