
Novos detalhes da Operação Perfidus revelam que dois investigadores da Polícia Civil da Paraíba, presos por suspeita de integrar uma organização criminosa envolvida no desvio e revenda de drogas apreendidas, teriam tentado ocultar parte dos lucros do esquema para evitar o repasse ao delegado Braz Morroni, também preso na operação.
De acordo com a decisão judicial que autorizou as prisões e mandados de busca e apreensão, um dos investigadores, Everton Aires, reclamou das cobranças feitas pelo delegado e planejou esconder uma venda de drogas no valor de R$ 18 mil. O objetivo, segundo a investigação, seria reter a parcela que caberia ao delegado e reinvestir o dinheiro no tráfico de entorpecentes.
O outro policial citado no esquema é o investigador Eduardo Jorge Ferreira, conhecido como “Mão Branca”. Conforme os autos, Braz Morroni era apontado como liderança do grupo criminoso em razão de sua posição hierárquica dentro da corporação.
A investigação aponta, no entanto, que a tentativa de ocultar os valores não teve sucesso. Cerca de 22 dias após a venda da droga desviada, Braz Morroni teria comparecido pessoalmente à delegacia para recolher sua parte do dinheiro obtido com a negociação ilegal.
Os investigadores também identificaram transferências financeiras realizadas por Everton Aires para contas ligadas ao delegado, além de mensagens interceptadas que indicariam a divisão dos lucros provenientes do tráfico de drogas.
Segundo a apuração, Braz Morroni recebia repasses frequentes das vendas realizadas pelos investigadores, cobrava agilidade na recuperação de valores negociados a prazo e utilizava sua posição dentro da Polícia Civil para oferecer proteção ao grupo criminoso.
A Operação Perfidus foi deflagrada na última terça-feira (2) e resultou na prisão de nove pessoas, entre policiais civis e integrantes de uma facção criminosa. As investigações continuam para aprofundar a participação de cada suspeito no esquema.