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O Carnaval de João Pessoa: ursos, tribos e a resistência dos batuques

O Carnaval de João Pessoa: ursos, tribos e a resistência dos batuques

Por: Hermano Araruna
27/02/2025 às 10h58 Atualizada em 27/02/2025 às 13h58
O Carnaval de João Pessoa: ursos, tribos e a resistência dos batuques
Foto: Reprodução
Se a ginga do carnaval tivesse RG, constaria na identidade que ele é paraibano também. E quem duvidar que encare um domingo de prévia na Praça Rio Branco ou tente fugir do “brega” e frevo do ‘Bloco do Cafuçu’ . O Carnaval de rua de João Pessoa tem dessas: sem amarras, sem cordão de isolamento e sem medo de suor. E enquanto outros lugares se rendem a abadás e camarotes, por aqui a festa ainda pertence ao povo – e às Ala-Ursa, claro. Ala-Ursas: ursos de fantasia, alegria e coração Se tem um personagem icônico do carnaval paraibano, ele atende pelo nome de Ala-Ursa. É aquele bloco que mistura batuque, nostalgia e uma pitada de mistério. Inspirados nas antigas trupes de teatro popular, os ursos saem às ruas com suas fantasias meio assustadoras, meio encantadoras, e um único objetivo: arrecadar uns trocados para esticar a festa até o último gole. E não se engane, o “urso” não é um mascote. Ele é a essência do carnaval raiz, aquela bagunça organizada que só faz sentido para quem entende o espírito da coisa. As tribos: cultura indígena e samba no pé Outra tradição forte na folia pessoense são as tribos carnavalescas. Elas desfilam carregando uma mistura única de referências culturais, celebrando e ressignificando a identidade indígena por meio de coreografias vibrantes, adereços coloridos e um batuque que faz o asfalto tremer. Ao contrário das escolas de samba tradicionais, as tribos têm um gingado próprio, um misto de caboclinho, maracatu e história. É Carnaval, mas também é resistência. Agremiações: o desfile fora do eixo Se alguém acha que desfile de Carnaval só acontece no Rio ou em São Paulo, claramente nunca assistiu às agremiações pessoenses darem um show na Avenida Duarte da Silveira. Elas podem não ter os carros alegóricos gigantescos das metrópoles, mas compensam com criatividade, paixão e enredos que conversam diretamente com a cidade. E, sejamos sinceros: entre um desfile milimetricamente ensaiado e uma batucada espontânea de esquina, João Pessoa sempre preferiu a segunda opção. A Rua é do povo e do samba No fim das contas, o Carnaval de rua da capital paraibana é sobre isso: suor escorrendo, pés calejados e o samba como trilha sonora. Seja nas ladeiras de Jaguaribe ou Róger, com a Ala-Ursa que já perdeu a conta de quantos carnavais viveu, seja na tribo que dança sem precisar de passarela, seja no bloco que só precisa de um pandeiro e um refrão fácil. E se você acha que só precisa ver para crer, faça um favor a si mesmo: vista sua fantasia mais absurda, agarre um copo de qualquer coisa gelada e se jogue na multidão. João Pessoa já entendeu há tempos – o Carnaval não é um evento, é um estado de espírito. Por Hermano Araruna
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