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Curso de Medicina coordenado por veterinária? Disputa em Cajazeiras expõe dilema sobre a Lei do Ato Médico

Curso de Medicina coordenado por veterinária? Disputa em Cajazeiras expõe dilema sobre a Lei do Ato Médico

Por: Hermano Araruna
21/03/2025 às 15h52 Atualizada em 21/03/2025 às 18h52
Curso de Medicina coordenado por veterinária? Disputa em Cajazeiras expõe dilema sobre a Lei do Ato Médico
Foto: Reprodução
O curso de Medicina da UFCG, campus de Cajazeiras,  é centro de um debate que promete tornar muitos diagnósticos divergentes. A médica e professora Dra. Vanessa Rolim voltou à TV Diário do Sertão nesta quinta-feira (20) para reafirmar que há uma irregularidade na progressão do curso, que estaria, segundo ela, há pelo menos uma década sendo gerida por profissionais sem diploma em Medicina. A atual coordenadora, professora doutora Fabíola Jundurian Bolonha, foi eleita de acordo com as regras da universidade e ocupa o cargo com legitimidade. No entanto, a sua formação é em Medicina Veterinária, o que para a Dra. Vanessa é um problema grave. Afinal, segundo a lei, certas funções no ensino médico deveriam ser desempenhadas exclusivamente por médicos. A questão que fica é: conhecimento acadêmico basta, ou o diploma específico é indiscutível? “Não é uma questão pessoal, é institucional”, enfatizou Dra. Vanessa, talvez evitando que a polêmica pudesse virar uma disputa entre indivíduos e não entre princípios. Para ela, a especialização de um profissional pode ser vasta, mas há limites legais que não podem ser ignorados. Do outro lado, a coordenadora segue no cargo, sustentando que sua eleição não prejudica os trâmites acadêmicos e que sua qualificação permite a gestão do curso sem prejuízo à formação. A médica também fez questão de reforçar que a exigência de um coordenador formado em Medicina não é apenas uma sugestão do Conselho da categoria, mas uma determinação expressa na lei federal desde 2013. “Quero deixar claro: isso não é só uma irregularidade, é ilegal. E cabe à instituição corrigir essa situação. Resolver um problema com outra ilegalidade, não é resolver”. Enquanto isso, o caso segue dando o que falar. Se médicos cuidam de humanos e veterinários de animais, quem fica responsável por zelar pelo cumprimento das normas acadêmicas? Até que se chegue a uma decisão definitiva, o que parece certo é que esse embate ainda passará por muitos trâmites, até chegarem num diagnóstico que cure.   Por Hermano Araruna
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