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Maria Bonita ganha a câmera e deixa Lampião no coadjuvante – pelo menos por seis episódios

Maria Bonita ganha a câmera e deixa Lampião no coadjuvante – pelo menos por seis episódios

Por: Hermano Araruna
04/04/2025 às 13h36 Atualizada em 04/04/2025 às 16h36
Maria Bonita ganha a câmera e deixa Lampião no coadjuvante – pelo menos por seis episódios
Foto: Reprodução
Esqueça o estereótipo do cangaceiro invencível, com cartucheira no peito e olhar de mau nas fotos em preto e branco. A nova série “Maria e o Cangaço”, que estreia no Disney+ hoje(4 de abril), faz o que muita gente vinha adiando há décadas: tira Lampião do centro do palco e entrega o microfone para Maria Bonita, interpretada por Isis Valverde. Sim, ela mesma — a mulher que, para muitos livros de história, existia apenas como “a companheira de Lampião”. Aqui, ela tem nome, voz, desejo e, surpresa!, ambições que vão além de seguir um homem pelo sertão. A série, estrelada também por Júlio Andrade como o mítico Lampião, produção de arte do paraibaníssimo Valério Lima, tem seis episódios que prometem mais do que bala e poeira: entregam humanidade. “Maria e o Cangaço” parte do princípio ousado (e aparentemente revolucionário) de que mulheres tinham vida interior mesmo no meio do cangaço. O foco da história é a jornada de Maria de Déa, antes da alcunha romântica, quando era apenas uma jovem sem paciência para obediência cega. Em vez de acatar ordens e silêncios, Maria gritava — e não foi por falta de aviso. O enredo foca menos na guerra de foice e mais na batalha íntima de uma mulher que queria viver o improvável: o amor, a luta e, veja só, a maternidade, tudo no mesmo pacote, com um bando de jagunços ao redor. A série promete uma visão pontual e nada escolar sobre o cangaço, abandonando o romantismo conveniente e os clichês que fizeram do sertão um faroeste tropical. E se alguém perguntar: “Mas cadê Lampião?”. Calma, ele está lá. Só que, desta vez, talvez você olhe para ele e pense: “Interessante. Mas e Maria, o que acha disso tudo?” No mais, prepare a pipoca. Ou um cantil. Porque vem calor, emoção e, quem diria, um pouco de verdade histórica com senso de humor. É o sertão na tela — sem o cabresto.
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