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Gaudí: o Homem que esculpiu a Fé e agora caminha para a Santidade

Gaudí: o Homem que esculpiu a Fé e agora caminha para a Santidade

Por: Hermano Araruna
15/04/2025 às 11h14 Atualizada em 15/04/2025 às 14h14
Gaudí: o Homem que esculpiu a Fé e agora caminha para a Santidade
Foto: Reprodução
Antoni Gaudí deu forma à fé por meio da pedra. Ontem, a Igreja Católica reconheceu oficialmente sua trajetória espiritual ao declará-lo “venerável”, o primeiro marco no caminho rumo à santidade. Esse título não celebra apenas a genialidade do arquiteto catalão, mas sobretudo a profundidade de sua vida interior. Criador da Basílica da Sagrada Família, obra que atravessa gerações e ainda está em construção no coração de Barcelona, Gaudí foi mais do que um artista: foi alguém que soube ouvir a linguagem do sagrado e traduzi-la em arquitetura. O processo de canonização, que exige a comprovação de dois milagres, é longo e minucioso. Mas o reconhecimento como venerável já indica que sua vida foi considerada exemplar em virtude e entrega. Quando consagrou a basílica em 2010, o papa Bento XVI disse que Gaudí transformou fé em pedra. Hoje, a Igreja começa a considerar se, além disso, ele também transformou vida em testemunho. Antoni Gaudí i Cornet não desenhou apenas edifícios — construiu pontes entre o visível e o invisível. Arquiteto catalão e alma do Modernismo de sua terra, ele criou uma linguagem própria, feita de curvas orgânicas, luz filtrada e pedra viva. Seu trabalho, quase todo concentrado em Barcelona, reflete três amores inseparáveis: a arquitetura como vocação, a natureza como guia e a fé como fundamento. Na Sagrada Família, sua obra mais ambiciosa, Gaudí parece ter deixado a planta do céu desenhada no chão da cidade. Ali, viveu seus últimos anos com intensidade quase monástica, dormindo no canteiro de obras e dedicando-se exclusivamente ao projeto. Foi justamente nesse cenário cotidiano que a tragédia o surpreendeu. Em 1926, ao atravessar uma rua, foi atropelado por um bonde. Maltrapilho e sem documentos, não foi reconhecido de imediato. Morreu poucos dias depois, aos 73 anos, em um hospital de caridade — ironia triste para quem desenhava catedrais. Hoje, enquanto sua basílica ainda cresce em direção ao céu, o Vaticano dá início ao processo que pode reconhecê-lo como santo. Gaudí, que buscou Deus nas formas da criação, pode agora ser visto como parte dela.
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