Minha Casa, Minha Vida se reinventa e mira a classe média com nova faixa de financiamento
Minha Casa, Minha Vida se reinventa e mira a classe média com nova faixa de financiamento
Por: Hermano Araruna
16/04/2025 às 09h38Atualizada em 16/04/2025 às 12h38
Foto: Reprodução
O governo federal anunciou uma reformulação estratégica no programa Minha Casa, Minha Vida, incluindo pela primeira vez famílias com renda mensal de até R$ 12 mil. A nova Faixa 4 permitirá o financiamento de imóveis de até R$ 500 mil com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado, em contratos que podem chegar a 35 anos.A mudança sinaliza um esforço do Executivo para atender uma demanda crescente da classe média por crédito habitacional acessível — segmento historicamente excluído das políticas públicas de moradia. Segundo o Ministério das Cidades, cerca de 120 mil famílias devem ser contempladas inicialmente com essa nova modalidade.O programa também atualizou os tetos de renda das faixas já existentes: Faixa 1 passa a atender famílias com renda de até R$ 2.850; Faixa 2, até R$ 4.700; e Faixa 3, até R$ 8.600. A medida deve beneficiar outras 100 mil famílias e ampliar o alcance do programa, que hoje responde por uma parcela significativa do crédito habitacional no país.A expansão será viabilizada por uma combinação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e um aporte de R$ 15 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal. A ideia é liberar mais espaço no FGTS para a nova faixa, que também contará com suporte das instituições financeiras envolvidas.A expectativa do setor é de que a iniciativa impulsione lançamentos imobiliários, aqueça a construção civil e facilite o acesso à casa própria em um momento de crédito restrito e juros elevados. Especialistas avaliam que o novo desenho do programa pode estimular uma parte do mercado até então dependente exclusivamente de financiamentos bancários tradicionais.Mais do que uma política habitacional, a nova faixa do Minha Casa, Minha Vida se insere em um contexto político e econômico sensível, com possíveis impactos tanto sobre o consumo quanto sobre o crescimento do setor produtivo. Ao mirar a classe média, o governo amplia o alcance de um dos seus programas mais simbólicos e acena para um eleitorado que busca estabilidade e previsibilidade em tempos incertos.
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