Foi buscar o que era seu — e ganhou o que era da Justiça
Foi buscar o que era seu — e ganhou o que era da Justiça
Por: Hermano Araruna
11/06/2025 às 11h02Atualizada em 11/06/2025 às 14h02
Foto: Reprodução
Alguns dias começam com o pé esquerdo. Outros começam com o pé na cadeia. Um homem de 38 anos foi preso na tarde desta segunda-feira (9) após bater na porta da Cidade da Polícia, em João Pessoa, para tentar recuperar objetos apreendidos. O que ele não sabia — ou fingia não saber — é que já havia uma condenação definitiva contra ele na Justiça da Paraíba. A polícia, que costuma ter memória melhor que a de certos réus, resolveu o caso com um par de algemas. A prisão foi realizada por investigadores da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC), que faz diariamente um trabalho aparentemente simples: ouvir, cruzar informações e ficar de olho em quem entra pela porta. E dessa vez, o “visitante” trouxe a própria ficha criminal na bagagem. Segundo a Polícia Civil, o sujeito chegou de forma tranquila, como quem vai buscar um liquidificador emprestado, mas acabou sendo identificado durante o atendimento ao público. Nada de perseguição, nada de denúncia anônima. Foi ele quem fez questão de comparecer. A DRFVC, discreta, não revelou detalhes sobre a natureza do crime que levou à condenação. O homem também não ajudou — limitou-se ao silêncio, talvez arrependido de ter saído de casa naquela tarde. "Se tivesse pedido por delivery, talvez estivesse em casa agora", comentou, sob reserva, um servidor da unidade policial. Não houve tumulto, nem confissão dramática. Apenas a constatação de que, em tempos de dados cruzados e condenações definitivas, o destino pode estar à espreita no balcão de atendimento. O homem foi encaminhado diretamente ao sistema prisional e deverá cumprir o que lhe cabe, enquanto seus objetos — ironicamente — continuam retidos. Procurada, a Polícia Civil reforçou que diligências cotidianas, mesmo no atendimento, seguem sendo ferramentas essenciais para o cumprimento da lei. E que, em tempos de burocracia e pressa, o crime ainda comete o erro de bater à porta certa. Hermano Araruna
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