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Enquanto você divide o milho e o cansaço, parlamentares da Paraíba entram no recesso mais longo do São João

Enquanto você divide o milho e o cansaço, parlamentares da Paraíba entram no recesso mais longo do São João

Por: Hermano Araruna
18/06/2025 às 11h37 Atualizada em 18/06/2025 às 14h37
Enquanto você divide o milho e o cansaço, parlamentares da Paraíba entram no recesso mais longo do São João
Foto: Reprodução

Se você é da iniciativa privada, talvez tenha direito a dois ou três dias de descanso neste São João — com sorte, uma folga na quinta e um almoço reforçado no sábado. Já se for servidor público, talvez consiga esticar o período com um ponto facultativo aqui, outro ali. Mas, se for vereador de João Pessoa ou deputado estadual da Paraíba... aí sim, o céu é o limite.

Na Câmara Municipal da Capital, os vereadores aprovaram a LDO nesta terça-feira (16) e, com a pauta devidamente "limpa", deram início ao que só pode ser chamado de maratona junina. Oficialmente, o recesso vai até 1º de agosto. Mas, como essa data cai numa sexta-feira — um dia que, convenhamos, já não costuma ser muito produtivo no plenário — e a terça seguinte é feriado estadual, a volta ao batente só deve acontecer no dia 6. Quase 50 dias depois. Mais tempo do que muita gente tira de licença maternidade.

Na Assembleia Legislativa da Paraíba, o roteiro é parecido. A votação da LDO estadual ainda está pendente, mas basta ela ser aprovada para que os deputados estaduais possam também entrar em “modo festa”. Uma portaria já garantiu o recesso entre os dias 23 de junho e 6 de agosto. Um intervalo, claro, que será usado para “visitas às bases”, “atividades externas” e outras expressões da arte política de desaparecer do plenário sem sumir do mapa.

E o que dizer da Câmara de Campina Grande? Por lá, o descanso será mais modesto — ao menos no papel. A expectativa é que os trabalhos sejam suspensos até 10 de julho. Algo em torno de 20 dias. Ainda assim, um tempo mais do que suficiente para comer pamonha com calma, visitar umas emendas e ajeitar o discurso para os festejos de agosto.

Enquanto isso, o trabalhador comum, aquele que levanta cedo para garantir o pão (e o milho), vai se virando com o feriado que couber no contracheque. O que importa, afinal, é saber que há quem esteja representando o povo — mesmo que seja de chinelo, rede armada e celular no modo avião.

Em tempos de crise, inflação e incerteza política, pelo menos uma coisa permanece firme no calendário brasileiro: o recesso parlamentar. Não falha. Chova ou faça sol, tenha ou não tenha votação. O forró pode até ser pé de serra, mas o descanso é de rei.

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