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Lula marca reunião com presidente do Congresso para debater IOF — e, quem sabe, salvar os cacos do acordo furado

Lula marca reunião com presidente do Congresso para debater IOF — e, quem sabe, salvar os cacos do acordo furado

Por: Hermano Araruna
27/06/2025 às 14h00 Atualizada em 27/06/2025 às 17h00
Lula marca reunião com presidente do Congresso para debater IOF — e, quem sabe, salvar os cacos do acordo furado
Brasilia, Federal District, Brazil - May 27, 2007: Brazil's Bicameral National Congress is part of the city's main monuments and was projected by the brazilian architect Oscar Niemeyer. Since the 1960s, the National Congress has been located in Brasília.

Na Brasília dos bastidores (e das facadas pelas costas bem ensaiadas), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu chamar para uma conversa os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Oficialmente, o encontro não está na agenda do Planalto. Extraoficialmente, está na urgência de conter a sangria institucional provocada pela queda — sem aviso prévio — do decreto que aumentava o IOF.

O episódio, que se desenrolou com mais agilidade do que fila de político em época de eleição, pegou o governo de calças curtas e olhos no feed. Enquanto o Planalto esperava um sinal de fumaça, a Câmara já votava a matéria. Hugo Motta anunciou a pauta às 23h35 de terça... pelo X. O novo Twitter. O antigo bom senso passou longe.

Resultado: 383 votos a favor da derrubada do decreto, 98 contra e um enorme silêncio vindo da base governista, que ainda tentava entender o que estava acontecendo. Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, soube da bomba pelo celular — o que, convenhamos, é mais uma metáfora perfeita para o atual nível de comunicação entre Executivo e Legislativo.

No Senado, o clima foi semelhante. Em votação simbólica, o decreto também foi pelo ralo. Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo por lá, resmungou sobre acordos descumpridos — o que, na prática, é quase um grito de "mas a gente combinou, poxa!". Acontece que o Congresso estava mais para ‘rebelião elegante’ do que para parceria institucional.

Davi Alcolumbre, sempre com um discurso na manga, defendeu o Legislativo com um floreio quase lírico: “afirmação do papel constitucional” e “eco dos anseios populares”. Traduzindo: o governo mandou mal, a população não curtiu, e o Congresso aproveitou a deixa pra dar uma resposta — de preferência, no horário nobre.

O Planalto, claro, ficou perdido no meio do tiroteio institucional. A AGU (Advocacia-Geral da União) disse que ainda não sabe se judicializa ou se apenas lamenta em silêncio. Vai decidir depois da “oitiva da equipe econômica” — uma forma rebuscada de dizer que Haddad e cia. estão tentando colar os cacos da estratégia fiscal feita às pressas.

A verdade é que o governo tentou aumentar a arrecadação no piloto automático, confiando que o Congresso seguiria o GPS do “acordo”. Só que o Waze da política mudou de rota. E agora, com a derrubada do decreto, o Ministério da Fazenda fala em congelar até R$ 41 bilhões do orçamento, como se isso não fosse gerar ainda mais atrito com os parlamentares que andam reclamando (e muito) da liberação lenta das emendas.

Entre dancinhas legislativas, decretos atropelados e acordos que evaporam no ar, resta saber se a reunião entre Lula, Motta e Alcolumbre servirá para realinhar as expectativas ou apenas selar, com fotos e tapinhas nas costas, mais um capítulo da comédia política em cartaz no Brasil.

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