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Terra pisa no acelerador e dias ficam (milissegundos) mais curtos

Terra pisa no acelerador e dias ficam (milissegundos) mais curtos

Por: Hermano Araruna
10/07/2025 às 09h45 Atualizada em 10/07/2025 às 12h45
Terra pisa no acelerador e dias ficam (milissegundos) mais curtos
Foto: Reprodução

Se você sentiu que os dias estão passando rápido demais, pode ser só a vida moderna. Mas também pode ser a Terra — literalmente — girando mais rápido. Sim, nosso planeta anda apressado, e cientistas vêm registrando uma aceleração discreta, mas real, na sua rotação: milissegundos a menos por dia, o suficiente para deixar os cronômetros planetários ligeiramente nervosos.

A informação vem de medições precisas feitas por relógios atômicos e centros de geodésia, e ganhou destaque em uma reportagem da revista Galileu. Desde 2020, os cientistas notam que o planeta tem ficado mais “ligeirinho” com uma frequência maior do que o normal. A rotação da Terra, que deveria durar exatamente 86.400 segundos (ou seja, 24 horas), tem apresentado desvios milimétricos — coisa de 1,59 milissegundo mais rápido no dia mais veloz já registrado até agora.

“Isso não é um bug do universo, mas também não é algo totalmente explicado”, resumem os especialistas, com aquele tom tranquilizador que os cientistas usam quando nem eles sabem exatamente o que está acontecendo.

As possíveis causas incluem desde o recuo de geleiras, mudanças no núcleo da Terra, abalos sísmicos, até o movimento da Lua se afastando aos poucos. Sim, a Lua está saindo de fininho — cerca de 3,8 centímetros por ano — e isso, acredite ou não, pode influenciar a rotação do planeta. Há ainda quem aponte para a redistribuição de massas nos oceanos ou o degelo dos polos como fatores que bagunçam o equilíbrio rotacional.

A boa notícia: você não vai chegar atrasado ao trabalho por causa disso. A má: nem vai conseguir usar isso como desculpa. Os milissegundos perdidos são imperceptíveis para o nosso cotidiano, mas não para os sistemas de GPS, telecomunicações e satélites, que precisam de ajustes precisos para funcionar.

Se o ritmo continuar, há quem fale na possibilidade de se usar o tal “segundo bissexto negativo” — ou seja, subtrair um segundo inteiro do relógio oficial mundial. Seria a primeira vez na história da cronometragem moderna que o planeta pediria para adiantar os ponteiros.

No fim das contas, talvez seja apenas a Terra tentando acompanhar o ritmo de um mundo cada vez mais impaciente. Ou quem sabe só querendo acabar logo o expediente.

De qualquer forma, respire fundo. Ainda temos 23 horas, 59 minutos e alguns bons segundos para errar, amar, reclamar do trânsito e tentar entender o universo. Enquanto ele gira. Mais rápido.

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