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Hepatites virais: o risco invisível que compromete o fígado e desafia a saúde pública

Hepatites virais: o risco invisível que compromete o fígado e desafia a saúde pública

Por: Hermano Araruna
04/08/2025 às 17h00 Atualizada em 04/08/2025 às 20h00
Hepatites virais: o risco invisível que compromete o fígado e desafia a saúde pública
Foto: Reprodução

As hepatites virais continuam sendo uma das principais ameaças silenciosas à saúde do fígado no Brasil. Causadas por diferentes vírus, A, B, C, D (Delta) e E, essas infecções exigem atenção tanto pela diversidade de formas de transmissão quanto pelas possíveis consequências de longo prazo.

De acordo com a médica Cássia Mendes Correa, professora da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Ambulatório de Hepatites Virais, os tipos A, B, C e D são os que mais preocupam autoridades sanitárias. “Cada tipo tem um modo distinto de contágio e uma trajetória clínica diferente, mas todos podem trazer impactos sérios se não forem diagnosticados e tratados”, afirma.

Sintomas discretos, riscos elevados

No início, os sinais das hepatites podem se confundir com os de uma virose comum: febre, cansaço e náusea. Mas um sintoma chama a atenção: a icterícia, coloração amarelada na pele e nos olhos, sinal clássico de sobrecarga hepática. Ainda assim, nem todos os casos se manifestam de forma evidente.

“Hepatites B, C e D, em especial, podem evoluir sem sintomas e se tornar crônicas”, explica Cássia. “Essas formas silenciosas podem permanecer por décadas, até que surjam complicações graves, como cirrose ou câncer no fígado.” Entre os desdobramentos mais graves estão o acúmulo de líquido na cavidade abdominal (ascite) e o sangramento digestivo, que muitas vezes marcam o estágio avançado da doença.

Diagnóstico e tratamento acessíveis

Apesar da gravidade, a detecção é simples e gratuita. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza testes rápidos que usam apenas uma gota de sangue e fornecem resultados em poucos minutos. A rede pública também oferece acompanhamento e tratamento para todos os tipos de hepatite. Vacinas estão disponíveis para os tipos A e B, enquanto o tratamento da hepatite C, hoje com alta taxa de cura, também é ofertado sem custos.

Segundo a especialista, o ideal é que todos façam o teste pelo menos uma vez na vida. A recomendação é ainda mais forte para pessoas com mais de 40 anos, usuários de drogas injetáveis, quem fez tatuagens, recebeu transfusão antes de 1993 ou vive com HIV.

“É preciso vencer o silêncio da doença com informação e acesso ao diagnóstico. O tratamento existe, mas só começa com o teste”, reforça Cássia.

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