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Programa de Lula para usar hospitais privados no SUS ainda não saiu do papel após lançamento em Recife

Programa de Lula para usar hospitais privados no SUS ainda não saiu do papel após lançamento em Recife

Por: Hermano Araruna
23/08/2025 às 14h34 Atualizada em 23/08/2025 às 17h34
Programa de Lula para usar hospitais privados no SUS ainda não saiu do papel após lançamento em Recife
Foto: Reprodução

O governo federal lançou, no dia 14 de agosto, no Recife, o programa Agora Tem Especialistas, iniciativa que pretende reduzir a fila de consultas e cirurgias do SUS por meio de parcerias com hospitais privados. O evento, acompanhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), marcou o atendimento de apenas oito pacientes na rede Hapvida. Desde então, não houve novos procedimentos.

A proposta central é que operadoras de saúde quitem dívidas de ressarcimento ao SUS oferecendo serviços médicos à população. O Ministério da Saúde calcula movimentar R$ 1,3 bilhão por ano nessa troca. Em julho, Padilha chegou a prometer que as primeiras consultas e exames pela rede privada começariam ainda em agosto, mas a própria pasta recuou e atualizou a previsão para setembro. Até agora, entretanto, não há confirmação oficial de adesões além da Hapvida.

Os procedimentos realizados no lançamento incluíram duas cirurgias de quadril, duas de vesícula, duas tomografias e duas ressonâncias. Lula visitou parte dos pacientes atendidos no Hospital Ariano Suassuna, unidade recém-inaugurada da Hapvida na capital pernambucana.

Apesar da repercussão, técnicos do SUS consideraram precipitado o anúncio. Segundo quatro autoridades ouvidas pela Folha de S.Paulo, a oferta depende da adesão voluntária das operadoras, e ainda há etapas de análise que tornam improvável a execução imediata em larga escala.

O edital de credenciamento foi publicado apenas em 11 de agosto, três dias antes da cerimônia em Recife. Até o momento, o ministério não divulgou a lista de operadoras inscritas nem o volume de procedimentos que cada uma pretende disponibilizar, embora afirme que a Hapvida já esteja formalmente credenciada.

A empresa, em nota, declarou que sua participação será ampliada gradualmente. “O modelo permite disponibilizar infraestrutura e especialistas conforme a necessidade local, garantindo capilaridade e eficiência”, informou a operadora.

Além das operadoras de planos de saúde, o programa prevê que hospitais e clínicas privadas troquem dívidas federais por atendimentos. Segundo o Ministério da Saúde, 130 estabelecimentos já apresentaram propostas dentro desse eixo. Também estão em andamento projetos de carretas itinerantes para atendimento em áreas remotas e medidas para ampliar a presença de especialistas no SUS.

As entidades representativas do setor privado consideram a iniciativa positiva. Para Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), a medida abre espaço para uma “integração necessária entre os sistemas público e privado”. Já Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde, afirmou que o programa “reforça o caráter complementar da saúde suplementar ao SUS” e pode ajudar a reduzir a fila de espera na rede pública.

Apesar da recepção favorável, a concretização da proposta ainda depende da adesão efetiva dos planos. Até lá, o programa lançado com holofotes em Recife segue restrito ao gesto simbólico dos primeiros oito atendimentos.

Fontes consultadas: Ministério da Saúde; Folha de S.Paulo; Agência Brasil; notas oficiais da Hapvida, Abramge e FenaSaúde.

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