
O consultor estratégico e publicitário Lucas Salles vai apresentar na Bahia no evento JuazeirOpen o conceito de Marketing Político 7.0, uma evolução dos modelos tradicionais de comunicação eleitoral, alinhada às transformações tecnológicas, culturais e comportamentais da sociedade contemporânea.
A proposta surge em um momento decisivo para a política brasileira, às vésperas das eleições de 2026, marcadas por novas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), avanço da inteligência artificial e mudanças profundas no comportamento do eleitor.
Segundo Salles, campanhas baseadas apenas em exposição, volume de conteúdo e presença digital já não são suficientes para garantir competitividade eleitoral.
“O eleitor mudou. Ele está mais desconfiado, mais informado e mais exigente. Não basta aparecer, é preciso fazer sentido. O Marketing Político 7.0 nasce exatamente dessa necessidade de compreender melhor as pessoas para se comunicar com mais verdade e gerar conexão real”, afirma.
Inspirado nas diretrizes mais recentes do marketing global, como o conceito de mind-centric marketing apresentado no Marketing 7.0 de Philip Kotler, e na leitura sociopolítica do brasileiro contemporâneo descrita em Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, o modelo propõe uma abordagem mais integrada, estratégica e humanizada das campanhas eleitorais.
O Marketing Político 7.0 se baseia em sete pilares centrais: compreensão da mente do eleitor, leitura do Brasil real, uso inteligente de dados, aplicação estratégica da inteligência artificial, integração entre mobilização digital e territorial, gestão de reputação em tempo real e atuação rigorosamente alinhada à legislação eleitoral.
Na prática, o conceito reorganiza a lógica das campanhas. Em vez de priorizar apenas a produção de conteúdo, o foco passa a ser a gestão de percepção, construção de confiança e mobilização efetiva do eleitor. “Campanha hoje é percepção, confiança e mobilização. O conteúdo é apenas uma ferramenta dentro de um sistema maior”, explica Salles.
Outro ponto central do modelo é o uso responsável da inteligência artificial. Com as novas regras eleitorais já estabelecidas pelo TSE, que exigem transparência no uso de conteúdos gerados por IA e impõem restrições específicas em períodos críticos da eleição, o Marketing Político 7.0 incorpora a tecnologia como aliada estratégica, sem abrir mão da ética e da legalidade.
Além disso, o conceito dialoga com práticas internacionais recentes, especialmente dos Estados Unidos e da Europa, onde campanhas têm combinado análise de dados, mobilização baseada em redes de confiança e maior controle sobre reputação digital em ambientes altamente polarizados.
Para Lucas Salles, o Marketing Político 7.0 não é apenas uma metodologia de campanha, mas uma nova forma de pensar a política e a relação com o eleitor. “Estamos saindo da era da propaganda para entrar na era da inteligência política. Vence quem entende melhor as pessoas, constrói conexões mais verdadeiras e consegue mobilizar essas conexões em escala”, conclui.
O conceito já começa a ser aplicado em projetos estratégicos de pré-campanha e deve ganhar desdobramentos em formato de livro, cursos e palestras ao longo de 2026.
Sobre Lucas Salles
Lucas Salles é publicitário, consultor de lideranças e especialista em marketing político e comunicação estratégica. Mestre em Administração com foco em Marketing, atua na construção de campanhas, posicionamento e gestão de imagem para projetos públicos e privados. É fundador da 9ideIA, hub de comunicação que integra estratégias digitais, produção de conteúdo, inteligência de dados e inovação aplicada à política e aos negócios.