
A Polícia Civil da Paraíba abriu um inquérito especial, nessa quarta-feira (20), para investigar uma tentativa de fraude que visava libertar ilegalmente sete detentos da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes (complexo PB1 e PB2), localizada em João Pessoa. O bando pretendia deixar a unidade de segurança máxima utilizando alvarás de soltura falsificados. A gravidade do caso fez com que a Delegacia-Geral da Polícia Civil designasse a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) para assumir a liderança das investigações.
O plano criminoso avançou a ponto de alguns dos apenados, apontados como integrantes de facções criminosas com forte atuação no estado, serem chamados formalmente pelos policiais penais até o setor de cartório da unidade para assinar os termos de liberação. O esquema só desmoronou porque a direção do presídio adotou um protocolo de segurança rigoroso e decidiu checar a autenticidade dos arquivos diretamente com a Vara de Execuções Penais da Capital antes de abrir as celas. Ao serem consultados, os juízes Andréia Arcoverde e Carlos Neves confirmaram que os despachos eram totalmente fraudulentos e que suas assinaturas haviam sido clonadas.
De acordo com os primeiros levantamentos da Inteligência, os documentos falsos foram introduzidos na rotina da penitenciária por meio do Malote Digital, uma ferramenta oficial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) utilizada para a comunicação eletrônica entre órgãos do Poder Judiciário. O foco principal da Draco agora divide-se em duas frentes: apurar o nível de participação e conivência dos sete detentos beneficiados e descobrir a identidade das pessoas que produziram, falsificaram e inseriram as ordens de soltura no sistema eletrônico de segurança.