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Censo revela realidade da população quilombola no Brasil: maioria vive no campo e enfrenta precariedade mesmo nas cidade

Censo revela realidade da população quilombola no Brasil: maioria vive no campo e enfrenta precariedade mesmo nas cidade

Por: Hermano Araruna
12/05/2025 às 10h28 Atualizada em 12/05/2025 às 13h28
Censo revela realidade da população quilombola no Brasil: maioria vive no campo e enfrenta precariedade mesmo nas cidade
Quilombo dos Palmares é palco de reflexão e festa no 20 de novembro, dia da Consciência Negra.

Pela primeira vez na história dos levantamentos populacionais, o Censo 2022 incluiu uma pergunta sobre a identidade quilombola. Os dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (10) revelam um retrato inédito e revelador: dos mais de 1,3 milhão de brasileiros que se autodeclaram quilombolas, 62% vivem em áreas rurais, contrariando a tendência de urbanização do país.

Apesar do avanço das cidades, a maioria da população quilombola segue enraizada em territórios historicamente ligados à vida no campo. Essa presença não se limita apenas ao espaço geográfico — ela revela um modo de vida, uma memória coletiva e um processo de resistência social que permanece fora do foco das políticas públicas.

O levantamento também destaca uma desigualdade estrutural: o acesso a serviços básicos, como abastecimento de água, rede de esgoto e coleta de lixo, é significativamente inferior entre os quilombolas. Mesmo quando vivem em áreas urbanas, a precariedade atinge 9,21% dessa população — taxa 3,4 vezes maior do que a média urbana nacional, que é de 2,72%.

O Nordeste concentra a maior parte da população quilombola do país, com destaque para os estados da Bahia e do Maranhão, que juntos representam cerca de metade do total. A Amazônia Legal também abriga um número expressivo: um terço dos quilombolas vive na região. Ainda assim, 87% residem fora de territórios oficialmente reconhecidos como quilombolas, o que os deixa mais vulneráveis e menos assistidos por políticas específicas.

A inclusão da pergunta no Censo é um marco, mas os dados reforçam que o reconhecimento estatístico precisa ser acompanhado de ações concretas. Os números lançam luz sobre uma parcela significativa da população brasileira que, apesar de invisibilizada por séculos, continua a reivindicar o direito de existir com dignidade — no campo ou na cidade.

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