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No Dia do Folclore, o Brasil lembra que Saci dá mais nó do que qualquer algoritmo

No Dia do Folclore, o Brasil lembra que Saci dá mais nó do que qualquer algoritmo

Por: Hermano Araruna
22/08/2025 às 10h15 Atualizada em 22/08/2025 às 13h15
No Dia do Folclore, o Brasil lembra que Saci dá mais nó do que qualquer algoritmo
Foto: Reprodução

Saci, Curupira e companhia: escoteiros do improvável

Eram personagens tão brasileiros quanto o cafezinho, embora ninguém tenha colocado Saci no extrapower nem o Curupira no BBB. Essas figuras surgiram da imaginação (e, em muitos casos, do medo genuíno da escuridão) por gente que precisava explicar o inexplicável: um samba de gafieira estridente na mata, uma pegada que rodopia sozinha, uma lenda que explicava boi, cobra ou botos.

A lista é longa: Saci, Curupira, Iara, Boto-cor-de-rosa, Mula-sem-cabeça, Boitatá e outros que ainda protagonizam festas, contos e séries na Netflix (alguém falou “Cidade Invisível”?). E sim, esses mitos nos dão aquele friozinho na barriga que nenhum streaming moderno consegue reproduzir.

Folclore com respaldo científico (tudo tem que parecer sério, né?)

Para que a brincadeira ganhasse base, rolaram congressos, o I Congresso de Folclore, no Rio, em 1951, gerou a célebre Carta do Folclore Brasileiro, definindo "fato folclórico" como o jeito de pensar, sentir e agir de um povo, imune ao filtro erudito.

E nomes importantes como Mário de Andrade e Luís da Câmara Cascudo viraram heróis da classificação: quem catalogou lendas, mitos, cantigas, saberes e rituais antes que virassem “inesquecível sem registro”.

Por que celebrar? Porque esquecemos fácil (e folclore não tem backup na nuvem)

A folia folclórica não é só chapéu de palha e quadrilha. É resistência cultural, memória coletiva e identidade viva. Ao lembrar do folclore, damos uma beliscada na arrogância moderna de que tudo precisa de algoritmo, curadoria ou enredo hollywoodiano para valer a pena

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