Mais de 160 pessoas foram resgatadas de comunidades terapêuticas nos últimos dois anos, na Paraíba
Mais de 160 pessoas foram resgatadas de comunidades terapêuticas nos últimos dois anos, na Paraíba
Por: Luanja Dantas
01/09/2025 às 05h35Atualizada em 01/09/2025 às 08h35
Foto: Reprodução
Operações realizadas pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) resgataram 164 pessoas de 16 comunidades terapêuticas entre os anos de 2023 e 2025, na Paraíba. De acordo com o MPPB, as pessoas resgatadas estavam sendo mantidas nos locais contra a vontade, em condições inadequadas e eram vítimas de violência. Comunidades terapêuticas são entidades privadas, sem fins lucrativos, que realizam gratuitamente o acolhimento de pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas (SPA), em regime residencial transitório e de caráter voluntário. Entre as principais inadequações, estavam medicamentos vencidos ou sem prescrição médica, além da ausência de profissionais da saúde qualificados. A maioria dos locais fiscalizados não possuía registro legal como comunidade terapêutica. E casos de maus-tratos, cárcere privado, violência física, psicológica e até sexual também foram registrados. Segundo o MPPB, também foram identificados problemas na emissão do alvará sanitário ou em outras documentações, assim como dificuldades em ter acesso ao prontuário individual dos acolhidos e do regimento interno disponível no local. Dentre as instituições fiscalizadas pelo MPPB, foram identificados registros de diversas internações involuntárias ou compulsórias, sem respaldo legal, o que contraria as normativas nacionais que regulamentam a atuação dessas instituições. Esse tipo de problema foi constatado em 50% das unidades visitadas. A fiscalização realizada pelo MPPB mostrou que duas das comunidades terapêuticas fiscalizadas tinham oito adolescentes internados, o que é proibido pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Também foram encontradas idosos, mulheres, pessoas com deficiência física e com transtornos psíquicos que não eram decorrentes de álcool e drogas. Segundo o MPPB, os locais funcionavam como uma espécie de "depósito" de vulneráveis, situação de flagrante violação dos direitos humanos. Como desdobramento das fiscalizações, foram instaurados inquéritos civis públicos e ajuizadas ações civis públicas, para interdição dos estabelecimentos em razão das situações insalubres e nocivas à saúde dos internos. As 164 pessoas mantidas nas comunidades terapêuticas contra a vontade foram resgatadas e os oito menores de idade encontrados foram encaminhados à rede de proteção da criança e adolescente. Nos casos de agressão ou violência, os responsáveis foram levados para serem ouvidos na central de polícia de cada município.
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